É lamentável a conclusão que
chegam alguns evangélicos quanto ao significado que a IASD dá a Azazel. É
incoerência dizer que o salvador de um grupo de pessoas que são batizadas em
nome da Trindade, que tem como uma de suas profissões de fé "O sacrifício
de Jesus Cristo e a aceitação do mesmo como Salvador pessoal", em oposição
ao inimigo, tenham a "satanás" como Senhor. Somente a falta de
respeito e sinceridade pode fazer algo assim.
Seria mais do que absurdo afirmar
que Satanás seja um salvador em qualquer sentido. A IASD ensina que ele é o
autor e instigador do pecado. Ele foi o primeiro responsável pelo pecado, deve
ser exemplarmente punido, pelos seus pecados e dos outros, pois repousa sobre
ele a responsabilidade na indução de pecados.
Tais acusações ocorrem pela
interpretação que dão os Adventistas quanto a Lv 16, sobre o Bode Azazel, por
identificarem o bode emissário como a representação de Satanás.
Apenas para iniciar vejamos algumas
formas de contaminação do santuário. Ilegítimas maneiras de contaminação.
Muitos creem na contaminação automática do santuário, vejamos: Lv 20:2, 3 - Nm
19:13, 20 - idolatria radical causava a contaminação automática do santuário.
Esses pecados eram transferidos para o santuário e no dia da expiação seriam
definitivamente excluídos. Perceba que o sangue limpa a pessoa diariamente (Lv
4) e o santuário anualmente (Lv 16). O caminho do pecado para o santuário era
por meio do sangue. Lv 16:16. O pecado era transferido diariamente para o
santuário pelo sangue e o mesmo não era purificado diariamente, o pecado de
todo o ano era acumulado ali. O sangue das vítimas era levada ao santuário e
ali orvalhado, "sete vezes diante de Jeová, para o véu do santuário"
(Lv 4:6, 17), nos casos quando o sacerdote ungido ou toda a congregação
houvesse pecado.
Deus orientou uma purificação do
santuário apenas uma única vez ao ano,
este dia é o Yomkipur ou dia do perdão e/ou expiação. Era um dia muito
importante para o povo de Israel, que afligiam suas almas, ficavam em oração e
não podiam realizar alguns tipos de trabalhos. Durante 10 dias, reconhece-se a
Deus como Rei do presente, Juiz do passado e Redentor do futuro.
O dia da expiação era cheio de
beleza e adoração, o sumo-sacerdote passava a semana em oração preparando todo
o ritual, com muito cuidado, para que tudo desse certinho, muito planejado.
Primeiramente banhava-se, vestia sua roupa e fazia expiação por ele e sua casa.
No decorrer diário de sacrifícios
o pecado do povo era transferido do israelita arrependido para o santuário, que
ia se acumulando até chegar ao seu ponto máximo. Esse limite acontecia uma vez
ao ano (dia da expiação), o dia do limite da paciência divina em favor do
pecador e contra o pecado.
Acho bastante providencial que
Deus tenha desenvolvido esse método para ensinar-nos algumas coisas muito
importantes, umas das várias é a questão quanto a predestinação. Perceba que se
alguém levasse um animal ao santuário, o animal, agora seria o responsável pelo
pecado do israelita, ele estava "livre" mas isso não dava o direito
do Israelita viver deliberadamente em transgressão, pois ainda haveria o dia do
juízo uma vez ao ano, e, se este dia o encontrasse de forma incoerente com a
mensagem do Deus que este professava, ele seria expulso do acampamento.
Tipologicamente temos um quadro que mostra alguém precisando ser fiel até o
fim, sendo ré-avaliado em um momento da vida, o dia do Yonkipur.
É importante lembrarmos que o
perdão só se dava porque Deus em sua infinita misericórdia resolvia aceitar o
sacrifício oferecido pelo pecador, não porque o pecador estivesse negociando
com o Senhor, já nesta época era pela graça, de graça.
A visão adventista entende que no dia do juízo
para Israel, o pecado voltava para o seu devido originador, o diabo. Ele,
representado pelo bode emissário, levava os pecados acumulados no santuário
para o deserto. Pecados esses que eram confessados na cabeça do animal para
"azazel ou emissário".
O termo original em hebraico para
"confessar" sobre a cabeça de azazel ou emissário é "yadah"
que pode ser traduzido por "lançar". Os pecados eram lançados e/ou
devolvidos ao seu originador. Embora Deus faça questão de chamar para si a
responsabilidade quanto aos problemas do homem, Ele não foi o originador do
pecado.
Inicialmente a atividade com
Azazel ocorria assim:
Devia-se colocar os 2 bodes,
ambos, diante da porta do Santuário diante do Senhor. Lv 16:7
Lançaria-se sorte para ver qual
animal seria para o Senhor e qual seria para Emissário. Lv 16:8
O bode que cair a sorte para o
Senhor seria oferecido como expiação pelo pecado, morreria como um sacrifício e
o animal que caisse a sorte para azazel seria enviado ao deserto.
Havia um detalhe muito importante
no ritual, é que antes de sacrificar o bode para o Senhor, o sacerdote não
confessava pecados sobre a cabeça do animal. Isto nos quer dizer que o sangue
deste animal não tinha pecados ou não era contaminado, assim, o sangue não
entrava para contaminar, mas para purificar, pois quando o sangue entra sem
pecados ele não contamina, mas purifica. Seria o animal pra resolver o problema
do débito do pecador como Cristo resolveu. Prefigurava esta cerimônia a morte
de Jesus como satisfação à exigência da lei, havendo sido o Seu sangue
derramado em substituição de todos os pecadores arrependidos. O sangue deste
animal vai para dentro do santuário, dentro do véu, o sangue é aspergido sobre
o propiciatório (que é símbolo de Cristo), esse animal faz expiação por todas
as transgressões de Israel e pelo santuário. Percebe-se então que este animal
faz um trabalho onde tem que ver com perdão através de derramamento de sangue.
O animal vai ao santuário para resolver o problema do pecado, não para ficar
com o pecado. Lv 16:9,15
QUEM É AZAZEL?
Algumas razões para relacionar
Azazel com Satanás:
A tradução de Almeida é "bode emissário,
em hebraico é um nome próprio: AZAZEL. Por ser um nome próprio, deve significar
alguém, não um objeto ou algo.
O fato de ser lançado sortes um "por
Jeová" e outro "por Azazel". Segundo o Talmud, os bodes deviam
ser o mais parecido possível (Talmud - Yoma 62a), para evitar o erro de
trocarem, atavam um cordão escarlate no chifre do bode para Azazel e um no
pescoço do bode para o Senhor. Não haveria necessidade desta atitude se os
bodes tinham a mesma finalidade. Por que lançar sortes e fazer tão específica
distinção se os dois tinham o mesmo simbolismo e representavam a mesma pessoa?
Acaso não estaria esta atitude demonstrando que eram opostos e que eram
divergentes? Se os dois representassem o mesmo personagem, não haveria
necessidade de fazer distinção entre ambos, contudo, no dia da expiação,
indicam, pelo contraste entre eles, que um tipificava Cristo e o outro
logicamente o adversário de Cristo.
Escritores hebreus e cristãos concordam que Azazel
seja um tipo de Satanás. Ex.:
M'Clintock And Strong, Cyclopedia of Biblical, Theological and Ecclesiastical
Literature, Vol. 9, págs. 397 e 389 art. "Scapegoat"; The
Encyclopedic Dictionary, Vol. I, pág. 397; J. Hastings, Bible Dictionary, pág.
77, art. "Azazel;" The New Sehaff-Herzog Encyclopedia of Religious
Knowledge, Vol. 1, Pág. 389, art. "Azazel."
A (RC) mostra em Lv 16:9 que o bode que teve a
sorte "pelo Senhor", Arão, "o oferecerá para expiação do
pecado" o outro de "por Azazel" não era sacrificado, assim Jesus
não pode ser representado por ele, pois não era um sacrifício, não derramava
sangue.
A Bíblia de Jerusalém em nota de rodapé,
comentário, diz quanto a Azazel: A versão Siríaca, é o nome de um demônio que
os antigos hebreus e cananeus acreditavam que habitasse o deserto, terra árida,
onde Deus não exerceria a sua ação fecunda.
Satanás é o originador de todo o
pecado. Ele é responsável pelos seus pecados e de todos os homens, e haverá de
pagar por todos os pecados não perdoados dos homens, por todos os que induziu
as pessoas a pecar. Deverá pagar pelo preço com a vida, conforme Ml 4:1 e 3
quando diz: "...não restará raiz nem ramo." "...se fará cinza
debaixo de nossos pés". É óbvio deduzir que deixará de existir, pois nem
raiz, nem ramo, só cinza.
De acordo com a tipologia do
santuário os pecados dos homens não são expiados por satanás, ele os carrega
por responsabilidade, não que Deus se isente ou deixe de ser responsável pelo
homem, mas Deus não foi o originador do pecado.
É de fundamental importância o derramamento do
sangue para simbolismo da pessoa de Cristo - Hb 9:22 "Com efeito, quase
todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de
sangue, não há remissão".
Sobre o sangue do Cordeiro, leia,
também, as seguintes referências: Mt 26:28; Mc 14:22; Lc 22:20; At 20:28; Rm
3:25 e 5:9; 1Co 11:25 e 27; Ef 1:7; Cl 1:20; Hb 9:7, 12-14, 25; 10:4, 19 e 29;
11:28; 12:24; 13:11-12 e 20; 1Pe 1:2 e 19.
Os opositores tem razão quando dizem que a
etimologia da palavra Azazel não é clara. A etimologia é o estudo da origem e
da evolução das palavras. O mais correto é transliterar e o aceitar como um
nome próprio visto que está em completa antítese com o termo YHWH, o famoso
Tetragrama Hebraico do nome de Deus e que traduzimos pelo termo Adonai
(Senhor), que certamente é um nome próprio.
Não são apenas os adventistas que sustentam
essa posição. Diversos teólogos dizem o seguinte:
a) George B. Stevens - "a
origem e significado do bode 'para Azazel' é obscuro". (The Christian Doctrine of Salvation, p. 11);
b) T. W. Chambers - "esta
sua etimologia não é clara". ("Satan in the Old Testament", Presbyterian and Reformed
Review, vol. 3, p. 26);
c) A. R. S. Kennedy -
"Etimologia, origem e significado são ainda matéria de conjectura. A
palavra Azazel é um nome próprio no original, e em particular o nome de um
espírito poderoso ou demônio". (Hastings Dictionary of the Bible, p. 77)
d) Dr. S. R. Driver - "Um espírito mau, … A
palavra ocorre apenas aqui no Velho Testamento. … Acima de tudo, a marcada
antítese entre para Azazel e para YHWH não deixa aberta nenhuma dúvida que é
concebido como um ser pessoal". (Book of Leviticus, p. 81)
e) Uma nota na Review and Herald
[publicação adventista] de 07 de julho de 1868 cita Irineu (c. 185 a.d)
caracterizando a Azazel como "aquele caído e poderoso anjo" (Contra
Heresias 1. 15).
f) Dr. M. M. Kalisch - "Não
pode haver dúvida que este Azazel é pessoal, um super-humano, e um ser mau - em
fato é um demônio, …" (A Historical and Critical Commentary on the Old
Testament, vol. 2, p. 328) - este autor comenta que escritores cristãos
primitivos identificavam Azazel como sendo o próprio Satanás.
g) "Pelo uso da mesma preposição
… em conexão com Jeová e Azazel, parece natural … pensar de algum ser
pessoal". (International Standard Bible Encyclopedia, "Azazel",
vol. 1, p. 343);
h) Smith e Pelouber - "Os
melhores estudiosos modernos concordam que [Azazel] designa o ser pessoal para
quem o bode foi enviado, provavelmente Satanás". (A Dictionary of the
Bible, p. 65).
i) Charles Beecher - "O que
vem a confirmar isto, que a maioria das paráfrases e traduções antigas tratam
Azazel como um nome próprio. As paráfrases dos Caldeus e os targuns de Onkelos
e Jônatas certamente o teriam traduzido se não fosse um nome próprio, mas eles
não traduzem. A Septuaginta, a mais velha versão Grega, traduz como
"apopompaios", uma palavra aplicada pelos Gregos para uma divindade
maligna.
j) J. Russel Howden (Igreja da
Inglaterra) - "O bode para Azazel, como é algumas vezes incorretamente
traduzido, tipifica o desafio de Deus para com Satanás. Dos dois bodes, um era
para Jeová, significando a aceitação de Deus da oferta pelo pecado; o outro era
para Azazel. Isto é provavelmente para ser entendido como uma pessoa, sendo
paralelo com Jeová na cláusula precedente. Assim Azazel é provavelmente um
sinônimo para Satanás". (Sunday School Times, 15 de janeiro de 1927);
k) Samuel M. Zwemer (Igreja
Presbiteriana) - "O demônio tem um nome próprio - Azazil. Ele foi expulso
do Éden". (Islam, a Challenge to Faith, p. 89);
m) E. W. Hengstenberg (Igreja
Luterana) - A maneira pela qual a frase 'para Azazel' é contrastada com 'para
Jeová' necessariamente requer que Azazel deveria designar uma existência
pessoal e se assim for, somente Satanás pode ser intencionado. Se por Azazel
não quer dizer Satanás não há razão para o lançar sortes. (Egypt and the Books
of Moises, pp. 170 e 171).
l) J. B. Rotherham (Discípulos de
Cristo-?) - "Presumindo que Satanás é representado por Azazel - e não há
nada mais que biblicamente possamos presumir - é mais importante observar que
não há aqui nenhum sacrifício oferecido para o espírito mau". (The
Emphasized Bible, vol. 3, p. 918);
m) William Jenks (Igreja
Congregacionalista) - "Spencer, depois das mais antigas opiniões dos
Hebreus e Cristãos, pensa que Azazel é o nome do demônio, … O Siríaco tem
Azzail, o "anjo que revoltou". (The Comprehensive Commentary of the
Holy Bible, p. 410);
n) (Metodista) - "O que a
palavra queria dizer é desconhecido, mas deveria ser retida como o nome próprio
de um demônio do deserto". (Abingdon Bible Commentary, p. 289).
o) Conferência dos Bispos
Católicos dos Estados Unidos - "Azazel: talvez um nome para Satanás, usado
somente neste capítulo".(http://www.usccb.org/nab/bible/leviticus/leviticus16.htm).
Ainda outra evidência é encontrada no Árabe,
onde Azazel é empregado como um nome de um espírito mau" (Redeemer and
Redeemed, p. 66)
No livro de lº Enoque (2º Séc. a.C) há uma
lista de anjos que recebem muitos nomes que são dados aos anjos bons e aos
maus; entre os anjos maus está o nome de Azazel. Portanto, em tempos
pré-cristãos, Azazel foi identificado com um poder demoníaco.
Como pode ser visto, a citação
levítica em referência a Azazel como um tipo de Satanás já vinha sendo exposta
por diversos teólogos, estudiosos e inclusive por cristãos de épocas bem
remotas, a Igreja Adventista apenas reconhece esta referência inspirada do
livro de Levítico e divulga esta verdade em relação ao santuário.
Um estudo histórico da literatura
adventista mostra que a primeira discussão sobre o bode emissário aparecendo em
uma publicação dos adventistas pertencente a O. R. L. Crosier no Day-Star 9:43
(07-fev-1846), reimpresso no famoso periódico adventista Review and Herald 1:62
e 63 (set-1850). Provavelmente a primeria discussão por um escritor adventista
observador do sábado foi um editorial feito por Tiago White também na Review
and Herald (07-nov-1856) dando essencialmente a mesma explicação, identificando
o bode emissário como Satanás.
Fazendo uma análise antítese de
levítico 16 temos o seguinte:
No Texto Hebraico a mesma
expressão é usada tanto como referência ao bode para o Senhor quanto ao bode
para Azazel. No Hebraico Moderno permanece ainda este tipo de estrutura em
referência a algo que está sendo dirigido a alguém. Ao escrevermos um documento
e enviá-lo identificamos o destinatário com a preposição. Por exemplo, se tenho
dois objetos para enviar para a mesma pessoa não faria sentido eu dizer,
"este é para João e este é para João", mas se são dois destinatários
diferentes eu diria que "este é para João e este é para José". Na
bíblia há uma antítese, é o relato que encontramos em 1Rs 3:25, algo interessante!
É bem conhecido o relato das duas mulheres que vieram ter com Salomão
discutindo a respeito sobre quem era a verdadeira mãe de uma criança, cada uma
delas atribuía para si a maternidade. Diante de tamanho problema, Salomão, com
a sabedoria que Deus lhe havia dado, toma uma decisão, diz que para resolver o
problema iria partir a criança em duas e uma metade seria para uma mulher e a
outra metade para a outra (v. 25) e resolvida estaria a situação. Diante disso,
a verdadeira mãe suplica a ele que não deveria fazer tal coisa, que entregue a
criança à outra mulher, mas que a deixasse viva. Essa foi para o sábio rei a
prova contundente de que era a verdadeira mãe. Se procurarmos traduzir
literalmente esta sentença conforme expressa na última parte do verso 25,
teríamos: "e dêem a metade para uma e a metade para uma". Uma
antítese. É óbvio que mesmo usando a mesma palavra ("uma") podemos
ver que "metade para uma" e "metade para uma" estão em
antítese, isto é, uma da primeira parte não é a mesma uma da segunda. Não faria
sentido Salomão pedir para dividir a criança e entregar as duas metades para
uma mesma mulher. Se as duas metades fossem para a mesma uma, não faria sentido
a sentença formulada como tal e nem mesmo faria sentido a divisão em si. Por
isso, ao traduzir a sentença podemos adaptar o texto para nossa língua e
declarar: "e dêem a metade para uma e a metade para a outra", que é a
única tradução contextualmente aceitável.
No relato de Levítico acontece a
mesma coisa, uma antítese é encontrada, entendemos que não faria sentido da
mesma forma dizer: um para o Senhor e outro para o Senhor, assim, traduzindo
para nossa lingua o mais aceitável seria "um para o Senhor e outro para
alguém que não é o Senhor".
Não há paralelos da tipologia com
a História da Redenção onde Jesus tenha expiado pecados tendo sido deixado em
um lugar desolado até morrer, sem derramamento de sangue. Seria inadmissível
atribuir uma segunda morte a Cristo Jesus!
Embora o texto apresente que
Azazel faça parte da expiação de uma forma geral, seu real significado mostra
que esse animal não poderia fazer expiação como remoção de pecados, visto que
"sem derramamento de sangue não há remissão de pecados" (Hb 9:22).
Porém não podemos esquecer que Satanás é "homicida desde o princípio.., e
pai da mentira" (Jo 8:44).
Se é verdade que Azazel é Cristo
por compará-lo a Isaias 53 quando diz "levará sobre si as
iniqüidades" deveríamos então encontrar uma ligação onde o mesmo Azazel
fosse "ferido por nossas transgressões".
Azazel expia no sentido de sofrer
as conseqüências como resultado de algo! A problemática maior é com relação a
palavra EXPIAR.
EXPIAR de acordo com o dicionário
HOUAISS:
Verbo transitivo direto.
1.Remir (a culpa), cumprindo
pena.
2. Sofrer as conseqüências de
3.Sofrer, padecer. [C.: 1. Cf.
espiar.]
§ ex.pi:a.ção sf.
O sentido ETIMOLÓGICO da palavra
EXPIAR é:
Desviar um mal com cerimônia
religiosa.
No ritual da expiação toda
maldade (pecados) é lançada sobre Satanás que é enviado ao deserto com o
objetivo de desviar do meio do povo de Deus os pecados!
Expiar no sentido de remir,
perdoar, só Jesus!
Nos dias atuais no Estado de
Israel, o termo Azazel leva uma conotação muito pesada. Você pode usá-lo quando
deseja enviar para um local nem um pouco recomendável. Mesmo em nossos dias a
religião judaica preserva e comemora as festas vetero-testamentárias, em
especial a do Yom Kippur (Yom HaKippurim), mais conhecida como Dia da Expiação.
Embora saibamos que a oferta já foi feita, o preço já foi pago, o Cordeiro já
foi morto, mesmo assim você encontra neste dias rabinos que sacrificam frangos
como um meio de obter o favor divino. Neste dia nem sequer um carro é permitido
se movimentar nas regiões que por Israel são controladas. O trabalho é parado
completamente. É o Dia do Perdão. Dia de acertar as contas com o próximo e com
Deus.
É difícil acreditar que este
mesmo povo que recebeu um dia os oráculos do Senhor e as admoestações a
respeito das comemorações cívicas e religiosas hoje se esqueceria do
significado deste termo (azazel). O mesmo povo cujo zelo era tanto para com o
nome do Senhor que, por não querer "tomar o nome do Senhor teu Deus em
vão" (Ex 20:7), nem sequer Seu nome pronunciavam (YHWH), cujas festas
dadas anteriormente pelo Senhor fazem questão de que sejam celebradas, que até
mesmo em nossos dias oferecem sacrifícios, esquecessem o Ritual do Santuário
com todos os seus simbolismos e importância. Se realmente o povo de Israel
entendeu o bode Azazel como na mesma igualdade que o bode para o Senhor, por
que isto não é refletido em nossos dias na maneira como eles lembram e celebram
o Yom Kippur?
QUANTO A IMPORTÂNCIA DO SANGUE
Rm 5:9 "Logo muito mais
agora, tendo sido justificados pelo seu sangue...";
Ef 1:7 "Em quem temos a
redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua
graça";
Cl 1:14 "Em quem temos a
redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados";
Ap 1:5 "E da parte de Jesus
Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe
dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos
pecados"
Não há dúvidas de que o animal
que representaria Cristo deveria derramar sangue.
"Azazel é o caminhão de
lixo. O ritual de Azazel é eliminatório, nunca expiatório".
Em páginas judáicas ou de
judaizantes na internet encontra-se Azazel como uma identificação para nomes de
demônios, entidades malignas.
Ele é mandado ao deserto -
comparar passagens: Ap 20; Lv 16; Jr 4; Gn 1:2
DESERTO, MORADA DE DEMÔNIOS
A concepção de que o deserto era
morada de demônios para o povo israelita não é só fruto da tradição, mas a
própria bíblia traz informações muito importantes. Lendo os versos em sequência
entende-se a relação entre eles.
Dt 32:17 - Ofereceram sacrifícios
aos demônios, a deuses falsos que não haviam adorado antes, novos deuses que os
seus antepassados não conheciam.
Lv 17:7 - Daqui em diante e para
sempre, os israelitas nunca mais oferecerão sacrifícios aos demônios do
deserto, pois, se fizerem isso, estarão sendo infieis a Deus.
2Cr 11:15 - Jeroboão escolheu os
seus próprios sacerdotes para oferecerem sacrifícios em altares pagãos e
adoarem demônios e as imagens de touros que ele tinha mandado fazer.
Is 34:14 - Os gatos do mato e
outros animais selvagens morarão ali, demônios chamarão uns aos outros, e ali a
bruxa do deserto encontrará um lugar para descansar.
Mt 12:43 - Jesus continuou:
Quando um espírito mau sai de alguém, anda por lugares sem água, procurando
onde descansar, mas não encontra.
Lc 11:24 - Jesus continuou:
Quando um espírito mau sai de alguém, anda por lugares sem água, procurando
onde descansar, mas não encontra. Então diz: "Vou voltar para a minha
casa, de onde saí.
Ap 18:2 - E gritava com voz
forte: Caiu! Caiu a grande Babilônia! Agora quem vive ali são os demônios e
todos os espírito imundos. Todos os tipos de aves e feras imundas e nojentas
vivem nela.
No final de tudo Satanás será declarado
culpado de todo o mal que fez os filhos de Deus cometerem, deverá sofrer o
castigo final. Quão apropriado é que o ato final do drama da forma em que Deus
trata o pecado, seja fazer cair sobre a cabeça de Satanás todo o pecado e toda
a culpa que, iniciando originalmente dele, trouxeram uma vez tal tragédia às
vistas dos que agora se acham liberados do pecado pelo sangue expiatório de
Cristo. Deste modo se completa o ciclo, termina o drama. Somente depois de que
Satanás o instigador de todo o pecado tenha sido finalmente tirado, poderá se
afirmar com certeza que o pecado foi eliminado para sempre do universo de Deus.
Só depois que o diabo e seus anjos forem "cortados" e "expulsos
ao deserto", então, e só então, poderá dizer que todo o universo está em
perfeita harmonia e unidade, como esteve originalmente, antes que entrasse o
pecado no mundo.
Muitos evangélicos não aceitam
que o diabo tenha parcela de culpa por nossos pecados.
Antonio ensina uma criança chamada José a
matar e assassinar cruelmente suas vítimas, José por sua vez cumpre direitinho
o que aprendeu. Vem a polícia e prende José, será que Antonio tem alguma
parcela de culpa nisso tudo? Foi o Antonio quem ensinou tudo a José, ele o
tornou assim. Isso é na vida espiritual, o Diabo que é o pai da mentira e
sedutor de todo mundo é responsável não só por seus próprios pecados, mas por
todos que já fez ou seduziu toda raça humana a pecar.
Não sejamos pois ignorantes em
falar o que disse um certo pastor de uma determinada igreja por não concordar
que o diabo é responsável por nossos pecados, mas o ser humano mesmo o é
responsável. No meio da conversa aquele pastor falou que: "...se Adão e
Eva não tivessem caído com a tentação da serpente, teriam caído posteriormente
em outra tentação, pois o sacrifício que Cristo faria estava predito antes da
fundação do mundo". Isso é que é hermenêutica!!!!








